“Olhe em meus olhos. Olhe para meu rosto. Lembre-se de mim, por favor.
Não me esqueça, Ana. Não me esqueça, meu amor, por favor.” – Uxbal
Em Biutiful, Javier Bardem interpreta Uxbal, um quarentão separado da esposa bipolar e alcoólatra, tentando criar dois filhos apesar da pobreza que permeia o filme todo.
Uxbal é cheio de contradições. Enquanto procura fazer o bem, sucumbe às próprias necessidades, tirando vantagem de onde pode.
Além da vida em pedaços, é diagnosticado com câncer terminal e assim como o personagem, ficamos preocupados com o futuro das crianças quando ele se for, já que a mãe não é uma opção confiável com quem deixa-las.
A princípio, o filme parece não ter pé nem cabeça por uma sequência de cenas aparentemente desconectadas. Uxbal está envolvido com o trabalho de chineses clandestinos em Barcelona, venda de produtos contrabandeados e conversas com os mortos. Continuamos assistindo e descobrimos que as situações estão conectadas e cada uma representa um conflito do personagem que concilia paternidade, espiritualidade e sentimentos de culpa por danos causados.
O diretor Alejandro Gonzales Iñarritu mostra uma Barcelona triste e solitária, diferente daquela geralmente destinada aos turistas. Os fantasmas e almas perdidas da cidade aglomeram-se no teto das casas, assim como as mariposas no teto úmido e escuro de Uxbal.
Não somos exatamente convencidos pelo filme, contudo, ficamos presos pelo naturalismo e confiança da linguagem do diretor.
Produzido em 2010, o filme recebeu nomeação ao Oscar de melhor filme estrangeiro e Javier Bardem foi nomeado para melhor ator.
Trailer:














